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Fabiano Neves, porque não estava no Carnaboi?

10/03/2009
Fabiano Neves
Amigos,

Resolvi enviar isso para os principais amigos da minha lista, e às pessoas que tem me questionado no orkut, o porquê de eu não estar no evento. Escrevi este artigo para respondê-los, leia até o final é importante.

Pra quem quer saber os motivos da minha ausência no Carnaboi. Leia é importante!

Compreender e Entender.

Atente à existência de diferenças sublimes entre essas duas palavras. Segundo o dicionário: Compreender seria "conter em si, encerrar-se", e Entender nada mais é do que "conhecer a fundo, ouvir, perceber", pois bem, respondendo aos questionamentos, talvez esta seja a razão pelo qual vou explicitar a minha ausência no evento Carnaboi.

A Secretaria de Cultura não me ENTENDEU, e até hoje não COMPREENDI, assim como você, o porquê de eu não estar no evento. Mas eu os ENTENDO, principalmente ao saber que sequer são capazes de formular uma lista citando os artistas que fazem parte das agremiações folclóricas, acreditem... Eles não sabem! Solicitam ao boi uma lista com seis atrações e eles escolhem o restante dos cantores, lógico os que na ocasião estejam nos seus enlaces amigáveis. Aliás, percebo que eles tem comprado um desafio gigantesco de confundir a cultura sem obter soluções ou êxito para ampliá-la, pois até hoje o nosso ritmo não invadiu o Brasil. Preferi ludibriar-me pensando que minha exclusão foi mera coincidência, pois sempre falei que meu sonho era conhecer o Carnaval do Rio, e na síntese de cinco dias, passei a entender por que o carnaval carioca é o maior espetáculo da Terra, acredite, ele é.



Em virtude da valorização que é dada ao ritmo, e quem o faz, na medida e no tempo certo, estou falando do samba, e esta citação não se refere aos governantes do Rio de Janeiro, e sim aos seus habitantes, que entenderam que o samba trás o sustento das suas famílias gerando emprego e renda, os táxis ficam lotados assim como os supermercados, nos hotéis não há vagas, os pontos turísticos exportam bilhares de fotos pro Mundo através da pose dos seus visitantes, parece que a Cidade fez uma grande reunião antes de chegarmos e todos cumprem sua parte, informando, bem tratando e manipulando os turistas.

Quanto às festas... este era o ponto em que eu queria chegar, há samba em todo lugar, as atrações principais são os intérpretes do ritmo e as baterias cadenciadas das Escolas de samba, o funk carioca se oculta, e todos ganham dinheiro com o hits da hora que são as marchinhas de carnaval e os sambas de enredo, isto sem falar dos blocos tradicionais que percorrem as ruas de todas as Zonas da Cidade, os clubes investem até em novos talentos como foi o caso do sambista Diogo Nogueira que lotou o evento Roda de Skol no Forte de Copacabana, isto tudo evidenciando o que o povo quer, e como o Governo administra de forma inteligente, para que o carnaval tenha ascendência.

Agora voltemos à nossa órbita. Nosso Festival de Parintins é lindo, alegorias maiores e mais realistas, inclusive exporta artistas plásticos, tem cem por cento de originalidade, realizado em uma Cidade que também é maravilhosa até por sua paisagem amazônica, realizado no período certo – férias, com um povo mais hospitaleiro que os cariocas, mas com uma pane mental administrativa, que impõe ao povo a atração principal – O RITMO ALHEIO, isso mesmo. Tenho certeza que já estiveram ou ouviram falar da Festa dos visitantes com o Grupo Revelação, Jorge Aragão, Berg Guerra, e muitos outros. Nada contra os artistas, e seus consideráveis talentos, mas sim pelo ritmo. Nesta época o forró impera em todos os clubes de Parintins como atrações principais e as tendas eletrônicas tem o melhor jogo de iluminação e sonorização na principal praça da Cidade. Os cantores mais novos que se apaixonaram e que querem continuar o legado da toada, dificilmente serão chamados pelo Governo ou Prefeitura para cantar como atração, e não espere muito pra ver um novo talento sendo apresentado por outro artista, pois não há espaço nem para veteranos, além dos clubes também tocam de tudo, menos a toada.




Quanto às coreografias, é melhor desistir! Você irá levar centenas de anos para aprende-las, porque o coreógrafo fez para satisfazer o ego pessoal dele, e quanto menos pessoas conseguir executá-las, mais o grau de status dele se eleva.

Agora a maior contradição vem da capital, o carnaboi, o evento não consegue vender turismo, pois cai no período que conflita com o desfile das escolas de samba, fato que irrita qualquer sambista amazonense, e que vale citar já ter sido o segundo maior desfile do Brasil, veja bem... já foi. Agora, está vivendo um momento de crise que recebem a verba uma semana antes pra fazer o desfile, pra ser franco, nem eles sabem o dia do desfile, nem eles e nem a Secretaria de Cultura. Portanto você já sabe que nunca verá um comercial decente na TV, dando a programação e configuração do evento em tempo hábil, para que possa assistir ao desfile das Escolas de Samba e o Carnaboi, o que possivelmente estará em evidência será o Bloco das Piranhas, que rende um aluguel gordo do sambódromo, e que sua empresa de organização é privada.

Então paremos pra pensar. Não seria hora de esperarmos chegar março, deixar o pessoal do samba fazer sua marca, refazermos um grande evento que simbolizasse a volta do período da toada, afim de não cansar o público e não confundi-los. Chamar todos os artistas que realmente fazem o boi-bumbá, cantam e tem identidade, integrar essas pessoas e o povo, para gerar empregos atrair o turismo e elevar o ritmo, sem deixar ninguém de fora e esquecer as diferenças políticas que estão muito abaixo disso. Estabelecer diretrizes, simplificar e delimitar o tempo da toada, gerar shows turísticos em patrimônios históricos de nossa Cidade para vender nossos cartões postais, lançar e oportunizar novos talentos com novas músicas nas rádios (valendo ressaltar que sempre estiveram de portas abertas, só não há algo novo para se tocar) e principalmente estimular a agregação da população ao ritmo.

Fazer crescer a cultura local não possui complexidade, e sim ENTENDIMENTO, mas realmente é difícil fazer um cego ler e escrever, sua escrita em linhas tortas sairá sem acertos gradativos, é como subir escadas sem pisar no primeiro degrau, como é o caso dos nossos magníficos Festivais de Ópera e Filme, que não completaram a lacuna em aberto que se volta para a cultura do nosso Estado.

Nossas origens não precisam de compreensão, não se espera que sejamos digeridos goela abaixo, como se fosse apenas uma data qualquer marcada no calendário cultural esperando um xis à pincel. Ela não precisa mais de alguém para fazê-la, ela precisa de nova formatação. Pra ser sincero até o povo da nossa terra precisa ENTENDER isso, abraçando nossas raízes e expondo-as na medida certa para atrair o turismo, até todos ganharem com isso, e a Cidade crescer. Aí sim, nossas expressões culturais terão tanta magnitude no Mundo como o Carnaval do Rio de Janeiro.

Não interprete isso como um desabafo, pois desabafo é como a COMPREENSÃO, é inconstrutível. Isto é ENTENDIMENTO, que democraticamente constrói. Apenas absorva como a síntese de uma opnião sobre a administração cultural do meu Estado, pois a verdade que cala a personalidade individual de cada um, não altera minha conclusão final.

"Meus são os sonhos intermináveis que almejam ver suas origens culturais abraçando o Mundo, e que não se limitam apenas ao emocional, e sim à razão como um todo".

FABIANO NEVES, cantor e compositor de toadas do Amazonas.


Pacote Parintins 2013